Nasci
Disseram que é privilégio
Cresci sem ninguém
Olhei para a tela e fingi
Que alguém
Estava a me ouvir.
O sol acertou-me a nuca
Queria ir, faltando presença
Logo em tempos onde a luz me alimenta
Os dias se passam
E os horários mostram perigo.
Nasci por castigo.
domingo, 11 de outubro de 2015
sexta-feira, 9 de outubro de 2015
Solidão
O apego ás pessoas que se entala em minha garganta é de tamanho desconforto. Quando fotografo vazios, quando alguém - mesmo que sozinha - está neste vazio, traz um medo confortável. E é um medo incapaz de viver sem. É esse medo que mantém a pessoa que eu sou, viva. Viva e distante. Pessoas aglomeradas são resultados de náuseas e suores em uma pressão que abaixa em todo o olhar jogado sem a mente dizer "sim". Mas a aglomeração não é sinônimo de pessoas. Não. Se os fosse, eu não gostaria de nenhuma delas. A questão é: as pessoas me fazem respirar um ar sereno, e atenua-se um dia em que só gostaria de fechar os olhos e não imaginar mais nenhum rabisco de criança em um papel em branco. As pessoas cessam o desconforto tão grande no meu viver que as palavras desconhecem esse significado. E eu os olho tão distante, sem laços emocionais ou físicos, os vejo todos fazendo guerras, lutando, gritando, gozando, chorando, morrendo. Quem são os hérois e quem são os vilões. Eu tenho uma janela para categorizar todas as pessoas. E mesmo que eu me inclua em pessoas e em seus grupos, minhas relações se aprofundem com algumas delas, ás vezes eu chego aonde quero chegar, ás vezes não. Mas sempre com uma sensação única e agridoce: a de ser sozinha.
domingo, 27 de setembro de 2015
segunda-feira, 24 de agosto de 2015
Hera.
A saudade metódica alivia-me, de certa forma, de conflitos internos apreensivos que em um futuro breve pretendia transforma-los em rancor sem nexo e sem explicação. A saudade é metódica e o amor platônico, perfeccionista. As arrumações emocionais através dos semblantes fúnebres, atenua-me em um jardim de abraços e beijos, dentro de uma cela.
quarta-feira, 19 de agosto de 2015
Um poema transmissível.
Tudo isso,
tudo isso é muito perigoso.
Sentir a bolha da vontade e do desejo,
Envolvendo-te como armadura de aço.
Do desejo angustiado de voltar atrás,
Como se fossem passos,
A serem repisados.
Se a escolha caber a ti,
É inegável,
Antes de pedir permissões á cabeça,
minha boca dirá sim.
Mas me sinto nua,
Toda vez.
Toda vez que você penetra esse olhar,
Em mim.
tudo isso é muito perigoso.
Sentir a bolha da vontade e do desejo,
Envolvendo-te como armadura de aço.
Do desejo angustiado de voltar atrás,
Como se fossem passos,
A serem repisados.
Se a escolha caber a ti,
É inegável,
Antes de pedir permissões á cabeça,
minha boca dirá sim.
Mas me sinto nua,
Toda vez.
Toda vez que você penetra esse olhar,
Em mim.
sábado, 15 de agosto de 2015
A dor é a arma.
Estou cansada. Cansada de sentir a análoga e insuprível dor em forma de pontadas agudas no fundo do peito, e escrever sobre elas repetidamente, sequencialmente, ignorando o fato de se ter idéias inéditas sobre as quais absorver-se e infiltrar-se. Me mantenho presa nessa teia sem saída que é o buraco negro do meu pensamento consternado e aflitivo. Tudo que me permito enxergar é apenas isso. O que será que vem após isso? Após a vida, a morte, eu não sei. As memórias das minhas experiências pessoais estão me corrompendo a um nível ego-melancólico que não desejo á ninguém de bom espírito. Eu recebo esses cortes, e eu não consigo parar de sangrar por eles. Ocasionalmente acho que me beiro á loucura, ocasionalmente tento atingir o controle respirando fundo, impedindo as crises de pânico de manipularem a cabeça e corpo e amarra-los como um só. A dor, se fosse alma viva, se consideraria de uma personalidade insondável. Quando chega sorrateira, puxar um gatilho se configura a condição mais fácil de se aceitar. Mas outras chegadas em cor preto e cinza virão. Não puxei o gatilho. Ainda não.
terça-feira, 11 de agosto de 2015
Controle.
É trágico pensar,
e relembrar o passado,
presente na memória.
É básico sofrer,
por decisões precipitadas e bobas,
feitas no ácido da raiva do instante.
Nada de bom existe,
e nada de bom se cria.
São sequências de desânimos,
em uma pressuposição
de que algo bom possa ser criado.
Nossa própria interpretação,
cabe apenas ao nosso entendimento.
E dei-me por vencida,
neste remendo de um rasgo inteiro,
em papel borrado.
e relembrar o passado,
presente na memória.
É básico sofrer,
por decisões precipitadas e bobas,
feitas no ácido da raiva do instante.
Nada de bom existe,
e nada de bom se cria.
São sequências de desânimos,
em uma pressuposição
de que algo bom possa ser criado.
Nossa própria interpretação,
cabe apenas ao nosso entendimento.
E dei-me por vencida,
neste remendo de um rasgo inteiro,
em papel borrado.
segunda-feira, 10 de agosto de 2015
Corpo.
É o que o corpo escorre e derrama: feridas abertas, cicatrizes e estrias. Enjoos, náuseas e calafrios. Me encontrei presa em meu próprio corpo em um pesadelo e acordei no meio da madrugada com medo de enfrenta-lo no espelho outra vez. O pesadelo ainda persistia do outro lado. Mas o nervoso e o tremor na alma e na pele me fazem lembrar que ele ainda vive. Ainda sofre e ainda chora. Ainda nasce e se recria. O peso de levantar e se erguer da cama orgulha-se que o corpo ainda também celebra de suas formas tortas. Também escorre e derrama o sorriso, o gozo, a vontade e o tesão. O corpo não deixa portas destrancadas. O corpo é toda esta prisão sem término. O corpo é toda esta asa quebrada que falha em voos terminais. Mas o corpo é toda esta festa em rascunhos inocentes também. É uma liberdade dos deslizes que vem de dentro. O corpo usurpa e revive. O corpo é corrente e asa quebrada. O corpo é prazer e sentido. O corpo é de tua vontade. A razão tenta sufoca-lo com um saco plástico em dias secos e apáticos. Mas corpo é meu. É teu. É nosso, e não da mente.
quinta-feira, 6 de agosto de 2015
Para alguém que cuida de mim (e que deve me conhecer bem).
Eu sei que muitas vezes sou mau humorada e difícil de agradar. Sei que sou rude, rígida e grosseira por ás vezes estar ligada á um tipo de atenção que quero, e não posso ter. Eu sei que muitas vezes tenho que ser tratada como uma criança que merece cuidados especiais e carinhos em excesso porque, assumindo: a minha natureza não me deixa esconder. Eu sei que sou alguém fácil de enlouquecer se não tiver companhias familiarizadas. Não sou feita para ser feliz sozinha. Não sei dançar com a solidão, e você sabe muito bem disso. Eu gosto dela, mas não a suporto por muito tempo. Eu sei que sou neurótica e faço acusações injustas com minhas neuroses psicóticas. Eu sei que sou essa essência triste, melancólica e que não consegue enxergar a vida linda como flores e agradável como um banho quente. Eu sei que já tentei tirar minha vida e ainda continuar vivendo é absurdamente insuportável pra mim, e você já não consegue entender mais essa minha dor. Eu sei que sou toda torta desse jeito. Mas eu te juro que eu não queria ser assim. E eu queria tanto que você não desistisse de mim. Eu sei que eu sou fraca. Mas, se você estiver desistindo de mim, você é uma pessoa fraca também.
Meus olhos fitam até o último nível de cansaço da minha alma, que transa todo dia com a juventude do meu corpo. Em uma cama velha e quebrada, onde se torna quase impossível acontecer um ato sexual ali. Mas acontece sempre. Se torna um estupro. Minha alma insegura ultrapassa os limites, jogando tuas inseguranças em forma de raiva, acontecendo um estupro diário contra meu corpo. E ele não resiste mais á essa força. É estável demais. Meu corpo está cansado de lutar contra a insensatez da alma. E a minha mente guarda toda a poeira pesada dos acontecimentos.
A luta está quase acabando. Eu pressinto. A boca sangra em tom de choque, sangra mudo, sangra se atuando imune.
A luta está quase acabando. Eu pressinto. A boca sangra em tom de choque, sangra mudo, sangra se atuando imune.
domingo, 2 de agosto de 2015
Vinho.
A perda foi imensa. A perda que esqueceu-se da própria existência, e deixou um gosto amargo em minha boca. Amargo, e do teu rosto, desfigurou-se uma caricatura azeda e exímia onde relutei em esconder debaixo do meu tapete vermelho. Mas o tombo é sempre gratificante no futuro distante. Aquele futuro que não consegue enxergaste nem em miragens. Neste futuro que não chega depressa porque é amigo do presente do pretérito imperfeito. E este presente, que cede e cega as lembranças com um gosto doce e amargo onde desce na garganta, entalando em um paladar estrangeiro. E meu sangue corre em cor de vinho tinto, assim como a cor de tua boca, pela última vez que a vi. Que a vi de tão perto, mas não podia alcança-la mais. Já não podia toca-la. Já não podia beija-la.
E eu derramo o vinho tinto na mesa, para lembrar-me de você outra vez. Eu deixo cair vinho tinto na mesa, legando uma melancolia funcionando como triturador de instintos de um desejo incurável. Tudo isso parece proposital.
O amargo do vinho seco na boca ficou.
E a doçura do vinho tinto na boca foi embora.
Eu derramo vinho para dissolver-se a sua pessoa, como quiser nas pontas soltas da minha memória. Eu não te esqueço.
E eu derramo o vinho tinto na mesa, para lembrar-me de você outra vez. Eu deixo cair vinho tinto na mesa, legando uma melancolia funcionando como triturador de instintos de um desejo incurável. Tudo isso parece proposital.
O amargo do vinho seco na boca ficou.
E a doçura do vinho tinto na boca foi embora.
Eu derramo vinho para dissolver-se a sua pessoa, como quiser nas pontas soltas da minha memória. Eu não te esqueço.
O que dizem as vozes
O pensar do sentir, por si só, já machuca e aperta. A cada ano, mês, semana, dia que vão galgando entre meus olhos obstinados, o nó na garganta e o monstro violento que parasita em mim vão desenvolvendo maior força. Uma força em que - eu, em ânimo e plano vitimista - não advindo de lutar contra eles. Todos os demônios do meu habitat estão limpos e prontos. Todos sorriem estalando os dedos apontando facas cegas em meu rosto nervoso e choroso. Escondo-me embaixo da coberta, enquanto as lágrimas transfiguram a cama em um rio espurco. Empregando a imaginação de que isso - algum dia - poderia salvar-me de ser quem sou. Do sentir. O sentir tudo. O sentir que arde na garganta e queima no peito. O sentir do desespero de não ter como correr para fora de si mesma. Eu não posso fugir. Não posso. E os demônios estão aqui. Os demônios estão parados em minha frente, e tiram a coberta do meu rosto. Descortinam meu mundo de criança. E em vozes duras e rígidas, repetem em tons bárbaros: "Não lhe aguenta todo o peso do mundo. O mundo maltrata. E você é fraca demais para suportar."
sexta-feira, 31 de julho de 2015
sábado, 25 de julho de 2015
?
Evitar, apagar, não absorver e não conviver com tudo aquilo que lhe faz mal. É o necessário para a tranquilidade pena. Mas o que fazer, se o que lhe faz mal, é você mesmo?
quarta-feira, 22 de julho de 2015
Senha
Você nunca conhecerá uma mulher por inteiro. Por maior que sejam as possibilidades de achar que a conhece, sempre se engana. Não falo de um modo que ela seja outra pessoa, diferente desta que aparenta ser. Não. Mas elas possuem, sangrando, nas palmas de tuas mãos exauridas, experiências, receios, segredos, das quais todas elas são fadadas ao sentir degredado capotando dentro de teus corpos. E falar de teus temores e saberes, serem ouvidas por si mesmas em voz alta, é como se um muro que as protegiam, de repente caísse. É um disco que arranha no ar do inesperado. Assumir-se humilhada. Assumir-se prisioneira, assumir-se digna de pena, de que lhe falta ouvidos para serem ouvidas. E algumas assumem-se, e são teus desgostos, como carne que se encontra seca mas ainda sangra. Quando se penetra em um mundo feminino tudo que se faz é vomitar angústias. Se não vomitas angústias, vomitas dor. Dor por ela. Dor pra ela. Coração de mulher é dor em sigilo. Olhos penetrantes que gritam silêncio melindroso. São confidentes de si mesmas. Você nunca conhecerá uma mulher por inteiro.
Pensamento da carapaça.
Embelezo, enfeito, adorno a tristeza porque a beleza toda de fora um dia acaba e consequentemente machuca. O que eu vivi, e há de viver ainda, sai desfocado da ideia que se tinha. Só a imaginação é bela e só ela que me salva. Só há uma única família e uma única certeza: tudo o que está vivo na minha memória agora. Na presença atemporal do espaço presente. Só há um lugar: aqui, onde progride o campo de possibilidades. Tento sair do campo das ideias para que se abra as fronteiras da consciência e caiba a experiência de sentir na pele. Eu penso mais do que pratico, eu sei. Eu repito. Eu sei que a gente pega um ponto de vista e faz desta imagem um oceano inteiro. Ignorando o resto. Como as pessoas ousam falar em deus, uma força intocável, onde este se move apenas com a fé, se todos nós estamos nadando somente em superfície de avaliações, achando que tudo vem de fora, observando só um pingo de sangue, enquanto se invisibiliza o esforço em enxergar a corrente sanguínea por inteiro. Visto a carapuça do meu casulo de seda e decolo em destino para dentro de mim. Onde arde e queima. Onde existe a culpa em seus níveis extremos. Existe o desejo incontrolável de querer ser de alguém, de querer ser sua. Mas, me ajusto, na segurança da carapaça. Sou minha. Deste jeito torto, deste jeito triste. Mas sou minha.
Comum
Coleciono quases, e respiro com alívio, mesmo com o temor assombrando-me entre sombras de final de tarde. O mundo ás vezes me permite um talvez. Um talvez que quase enfarta, um talvez que dilata, e um talvez em espaço aberto. Em um corredor não se permite correr, por isso que as escolhas se tornam - ao longo das vias de dores e odores - tortas e vagas, como a ampulheta se encontra, pois acha que o tempo é controlável.
terça-feira, 21 de julho de 2015
Umidade.
O peito doeu depois daquele segundo cigarro. Lembrou-se de como estava molhado há algumas semanas atrás e como os cigarros eram só um fumo por osmose. Alguém infiltrou-se em mim e o torceu com o maior esforço possível, e deixou-o úmido com um porte de desgaste. Mas este coração não vai secar até alguém encostar e surgir uma vontade de cutuca-lo. Conhecer o que se é ainda mistério. Ele não vai secar até as mágoas e os rancores forem se misturando e serem esquecidos na ventania que passa na construção do prédio ao lado que não me deixa dormir. Este meu coração não seca em rapidez, como roupa pós lavada.
Ele não seca.
Ele não seca.
Carta á minha mãe.
Mãe,
Sei que frequentemente - ou quase sempre - suas crias aparentam depreciar teu papel de mãe. Não é? Ou pelos menos é assim, que deves se sentir na maior parte do tempo. Mas quero que entendas: o crescimento pessoal é necessário, e para isto ocorrer, é necessário que lhes deixem quebrar a cara um pouco. Um pouco não, equivoquei-me: muito! Bastante. Deixar os rostos sangrarem, e os pequenos corações de crianças também. Mas isto não retira o fato do amor maternal como um todo. Como andam teus temores? Teus medos? Sei que você os tem até teu coração chegar na boca. Sei que você os tem até teu nó na garganta não conseguir mais desatar-se da água salgada presa nos teus olhos. Sua insegurança é tamanha, afinal, o que seria de você sem teus filhotes? Mas mãe, faria de quase tudo para deixar esta tua insegurança de lado e fazer você viver tudo que envolve ao agrado do seu âmago. Ouço falar - da boca de outras mães - que quando filhos crescem a vida para os mesmos é mais empolgante do outro lado do que o lado do lar. É, sei bem. Eles soltam-se de vocês, e vocês prendem-se ainda mais. O peso de ser mãe é duro. E é duro como pedra até ser mãe sem um filho! Mas, acalma a alma, mamãe. O mundo insiste em te derrubar. Mas nós, nunca. A rainha aqui é você.
Sei que frequentemente - ou quase sempre - suas crias aparentam depreciar teu papel de mãe. Não é? Ou pelos menos é assim, que deves se sentir na maior parte do tempo. Mas quero que entendas: o crescimento pessoal é necessário, e para isto ocorrer, é necessário que lhes deixem quebrar a cara um pouco. Um pouco não, equivoquei-me: muito! Bastante. Deixar os rostos sangrarem, e os pequenos corações de crianças também. Mas isto não retira o fato do amor maternal como um todo. Como andam teus temores? Teus medos? Sei que você os tem até teu coração chegar na boca. Sei que você os tem até teu nó na garganta não conseguir mais desatar-se da água salgada presa nos teus olhos. Sua insegurança é tamanha, afinal, o que seria de você sem teus filhotes? Mas mãe, faria de quase tudo para deixar esta tua insegurança de lado e fazer você viver tudo que envolve ao agrado do seu âmago. Ouço falar - da boca de outras mães - que quando filhos crescem a vida para os mesmos é mais empolgante do outro lado do que o lado do lar. É, sei bem. Eles soltam-se de vocês, e vocês prendem-se ainda mais. O peso de ser mãe é duro. E é duro como pedra até ser mãe sem um filho! Mas, acalma a alma, mamãe. O mundo insiste em te derrubar. Mas nós, nunca. A rainha aqui é você.
domingo, 19 de julho de 2015
Ensaio de um retrato distante.
Eu lembro bem. Aquela vez em que dormimos juntas, e a chuva que corria e se apressava a molhar o ópio enegrecido dos seus olhos no escuro do quarto em encontro com os meus. E nossas bocas faziam gestos recíprocos no mesmo instante. E na minha base de análise encarava o fato de como suas mãos se encaixavam tão bem com as minhas. Você encarou este fato também, e sorriu. "É profundo", você disse. E acordamos juntas no dia seguinte, dia em que a lua ingressou em peixes. Nos abraçamos ao perceber a nossa distância uma da outra durante o sono da noite, e parecíamos fadadas na mesma órbita. E neste efêmero infinitamente instante eu cogitei nas marteladas de bem-estar da minha cabeça que seríamos por muito tempo. Me enganei, parece.
Não estamos.
Não fomos.
Não somos.
Não estamos.
Não fomos.
Não somos.
sábado, 18 de julho de 2015
Tu ficaste inteira, e eu me tornei pó.
O que trouxe para mim, no começo, foi benigno. Trouxe bens, presentes. E não me refiro á matéria. Matéria capital. Trouxe bens únicos - inéditos aos olhos do meu coração chicoteado. Coração escravo e sujo. Presentes que, á visão da carne ardendo nasceu em glória, e que, quando revirei-me o olhar, estava já amarrada aos bens que trouxeste. Mas... Tua emoção acabou, dizia teus dedos no papel. A tua acabou e se passou ao meu desalento. Duplicou-se a minha, após a sua evaporar-se. Engraçado seria sim, se não fosse tão aguda, esta dor que não se cobre. E levou embora todos os presentes que já havia me dado, e esqueceu-se de um, um que evitava ser tocado. Este, que me dá enjoos matinais: a tristeza.
Púrpura existencial
Estaria eu, repetindo os mesmos erros dos quais condeno, tão crucialmente, tão bravamente? Será eu, a próxima vítima dos atentados que um dia, já me atentaram? E agora, tão breve; estarei vivendo e alucinando dando voltas em círculos. Nada nas relações humanas ou nos contatos carnais e verbais - de fato - se cria. Tudo, inevitavelmente, se repete. De bruços na cama não sinto a euforia pingente de viver. Não sinto. A sobrevivência, será puro comodismo, ou há de haver algo a mais em anos seguintes? Se há de haver, não o sinto. A intuição falece então, ao pairar isto em meus neurônios.
Como se descreve o óbvio?
Eu tirei a máscara. Tirei e a joguei no balde de lixo. O susto foi tamanho que afastaram-se - mentalmente - de mim, por tempos. Mas, o que assustava-os? Joguei as cartas na mesa e foi um sinônimo de solução; a pessoa que eu era se tornara desprezível. Se já não era desde o berço. Mas, o susto do alheio me cheirava á dúvida: desprezível não é um lado; um espaço; tétrico de mim. Não. Eu enxerguei, por fim. O desprezível é o ser humano. O lado autocentrado e ególatra. Então, oras, o porque do susto? O que persiste e ronda em minha cabeça é o receio. O receio dos outros - do resto - não enxergarem a si mesmos. Meu Deus, assustador, parece ser, assumir-se sozinha em frente ao mundo, infame e entorpecida.
Sozinha, então: retiro a máscara. Doa em mim. Doa, doa muito. Para renascer na breve encruzilhada da vida.
Sozinha, então: retiro a máscara. Doa em mim. Doa, doa muito. Para renascer na breve encruzilhada da vida.
quarta-feira, 15 de julho de 2015
Silêncio
No meu silêncio calado,
Silêncio de unhas roídas e ansiosas,
Silêncio de tristezas retidas,
Silêncio de gemidos abafados,
Silêncio de palavras ditas pelo olhar.
O silêncio estrila e chora, desesperado,
enquanto é estuprado pela própria alma,
querendo sair.
Silêncio gritado, silêncio, silêncio, silêncio:
É o berreiro interior.
Silêncio de unhas roídas e ansiosas,
Silêncio de tristezas retidas,
Silêncio de gemidos abafados,
Silêncio de palavras ditas pelo olhar.
O silêncio estrila e chora, desesperado,
enquanto é estuprado pela própria alma,
querendo sair.
Silêncio gritado, silêncio, silêncio, silêncio:
É o berreiro interior.
domingo, 5 de julho de 2015
Penumbra.
Porque eu preciso comer toda aquela máscara de dor que sobressai na textura da minha pele. Comer, mastigar, devorar, até sair sangue da superfície. Isso tem de haver algum significado. Um cigarro não se apaga em vão, tampouco um coração. Coração este que tenho vontade de arrancar, e esmaga-lo com toda a força que não tenho e nem nunca tive. E joga-lo janela á fora para cair em alguém propositalmente, até aonde aquele outro coração alegoricamente se conectar com meu, mesmo não existindo nem um pouco de sombreamento do antes visto, e do antes machucado. Eu simplesmente grudo no descompasso dos desencontros da minha vida com o suposto amor. Descompasso no papel que já foi manchado, borrado com borracha já suja de outros papéis. Velhos, feios e desgastados. Onde a borracha não dá mais jeito em obra.
Minha alma agora já fede a mofo, e minha cabeça trazem mais lembranças de um passado e um presente ruins que se confundem no tempo.
Afinal, esse gosto de derrota, arde ou adormece na minha língua?
Minha alma agora já fede a mofo, e minha cabeça trazem mais lembranças de um passado e um presente ruins que se confundem no tempo.
Afinal, esse gosto de derrota, arde ou adormece na minha língua?
sexta-feira, 3 de julho de 2015
Há se eu pudesse por mais uns segundos,
adiar o sofrimento monogâmico e ego-lírico da minha situação.
Adiar o afastamento de conexão que as pessoas tem,
por fios que foram desligados internamente,
em momentos do impulso momentâneo.
Há se esse adiamento adiantasse
Que existissem os afastamentos.
Há, se adiasse...
Há se esses impulsos não existissem.
Talvez o sofrimento não existisse também.
Talvez a a arte, a literatura não existissem também.
Acho que tudo acontece por uma causa.
adiar o sofrimento monogâmico e ego-lírico da minha situação.
Adiar o afastamento de conexão que as pessoas tem,
por fios que foram desligados internamente,
em momentos do impulso momentâneo.
Há se esse adiamento adiantasse
Que existissem os afastamentos.
Há, se adiasse...
Há se esses impulsos não existissem.
Talvez o sofrimento não existisse também.
Talvez a a arte, a literatura não existissem também.
Acho que tudo acontece por uma causa.
segunda-feira, 29 de junho de 2015
Eu queria que você soubesse que só você já é suficiente
Sei que suas inseguranças te perturbam e seus medos te inundam. E eu sei que um pedido de desculpas não é válido para o que já aconteceu e rasgou até o fundo da tua alma. Mas me deixa penetrar sua armadura de aço e tocar seu âmago. Eu quero te enxergar sem máscaras. Porque você por si só me basta. Seu riso já basta, me preenche de uma forma incompreensível ao sentir humano. Seu toque me transborda. Eu não preciso de enfeites pra te amar, porque sua essência já me integra a um mundo radioso de sensações. Eu poderia ficar olhando você sorrindo por uma hora seguida e não me cansar. E sua alma crua é tão linda que quase cega. E eu não preciso ter bons olhos para enxergar isso.
Vitimismo
Eu juro que eu tento me achar uma pessoa boa, na maior parte do tempo. Mas alguns erros são irreparáveis. Alguns defeitos não tem, de maneira alguma, conserto. E essa é a pessoa que eu me torno á cada dia. Eu atravesso a rua, olho para as pessoas, a chuva caindo sobre minha cabeça, e eu não vejo sentido em nada que devia me dar sentido. Eu sou perdida na minha personalidade desfigurada e ridícula. Que não merece nem um pouco de atenção. Nem um pouco. Olha só pra mim:
Triste. E ainda por cima com nenhuma ponta de qualidade pra poder equilibrar os extremos.
O mundo não merece uma pessoa como eu.
E somente vago por aí. Vago espirrando lágrimas injustas.
Triste. E ainda por cima com nenhuma ponta de qualidade pra poder equilibrar os extremos.
O mundo não merece uma pessoa como eu.
E somente vago por aí. Vago espirrando lágrimas injustas.
domingo, 28 de junho de 2015
quinta-feira, 25 de junho de 2015
Tentando buscar outros rótulos para o amar
Acho que o que mais me agrada nas relações humanas é a lembrança de peculiaridades do outro. As peculiaridades, os detalhes, o microscópio dos insights, são as formas mais inibidas de amar. É o sincero dentro do costume. É o costume que é rotina, mas não enjoa. O apego que não dá náuseas, não se solta uma vontade de vomitar. Um apego que não é tóxico como um perfume é para o nariz. Sem alguma cerveja, sem algum cigarro, sem drogas, ninguém mais se interessa em sair com as pessoas hoje em dia. Não suportam o perigo que é olhar nos olhos de alguém tomando um café depois de acordar com os olhos inchados de tanto chorar a noite toda. Mas eu creio que o amor seja a exceção desses interesses individuais e incuráveis, onde alimentamos a cada dia, como se fossemos máquinas. O amor é a quebra dessa máquina de individualidade. O amor é fomentar peculiaridade dentro de um laço rotineiro. Um laço que nunca se rompe e nunca apodrece, mesmo com esforço. E se um dia der nó, não aperta. Amor é morar dentro desse nó que não aperta.
É uma espécie de nó que folga o coração apertado.
É uma espécie de nó que folga o coração apertado.
I don't want to die sad
O corpo vem ao mundo, todo nu. E se torna cru. Se torna parte da malícia de um mundo sem portas ou janelas. E para sentir-se vivo é preciso criar uma conexão inquebrável com o mundo. O ódio ao teu corpo nu faz parte da tua conexão com o mundo. É compreensível o ódio ao teu corpo. É compreensível querer uma afeição maior com o mundo do que com tua criação pessoal. Senão não poderia chamar de vida. Seria miséria. Infiltrar-se nesse mundo incita a uma espécie de auto-ódio.
Então, você para e se pergunta:
Quem te criou afinal, seus pais ou o capital?
Então, você para e se pergunta:
Quem te criou afinal, seus pais ou o capital?
Boca e Nuca.
O ato da escrita não tem cabimento e repudia quando nada vem a mente. O vazio, o branco borrado de giz. Nada, nada sai da nuca. E da boca, grande companheira da nuca.
As teorias, as melodias, a tristeza, a glória, o gozo. Todas as criações encontraram-se em seus significados mais pequenos e melindres porque a boca conseguiu trabalhar com a cabeça. O que a nuca idealizava, a boca dizia. Mesmo com a garganta cansada, a nuca nunca parou. E a voz reproduzia o que a nuca nunca parou de fazer. Criar. Você pode escrever, pintar, desenhar, sim. Mas com a boca fechada não se pode viver com muito sucesso. Gera déficit de comunicação. Gera déficit emocional. A criação vem deste trabalho em grupo. Vem deste trabalho em dupla.
Mas a boca me é inútil neste trabalho.
A minha cabeça é a que fala, e minha boca é a que escuta.
As teorias, as melodias, a tristeza, a glória, o gozo. Todas as criações encontraram-se em seus significados mais pequenos e melindres porque a boca conseguiu trabalhar com a cabeça. O que a nuca idealizava, a boca dizia. Mesmo com a garganta cansada, a nuca nunca parou. E a voz reproduzia o que a nuca nunca parou de fazer. Criar. Você pode escrever, pintar, desenhar, sim. Mas com a boca fechada não se pode viver com muito sucesso. Gera déficit de comunicação. Gera déficit emocional. A criação vem deste trabalho em grupo. Vem deste trabalho em dupla.
Mas a boca me é inútil neste trabalho.
A minha cabeça é a que fala, e minha boca é a que escuta.
Morte
Porque é tão forte e severa? Porque tu rasga o peito e a alma, como se fosse carne viva? Furta a alegria só para jogar-lhe no lixo? Mais do que qualquer pessoa, tu és indecifrável. Mais indecifrável que uma balança de libra. Qual é o teu lado do jogo, se queima ou se congela, se adormece ou se acorda. Não te conheço, morte. E não deixas ninguém infiltrar em tua áurea amargurada. Não te conheço. Mas como é possível, não conhecer-lhe e doer tanto?
sexta-feira, 19 de junho de 2015
quinta-feira, 18 de junho de 2015
Difícil é ser mulher
Difícil é ser mulher. Difícil é acordar feliz pela primeira vez depois de meses deprimida embaixo de uma coberta. Deprimida por ter que seguir padrões impostos por conta do meu gênero. Difícil acordar feliz e tentar sentir o ar limpo e fresco apenas para você, mas a sua felicidade ser estragada por causa de um leve comentário de um homem no bar sobre como sua bunda fica empinada nesta calça apertada. É difícil andar nas ruas, avenidas, calçadas, e não notarem como estou vestida (“mas ela é muito masculina! ” “ai, que piranha”, “que homem vai querer essa mulher?”) e se meu cabelo está bem penteado (“porque você não alisa?”). Não notarem no meu corpo. É dificil ser assediada todo o santo dia e ser obrigada a permanecer calada. Se reclamo, sou a louca. É difícil olharem para a profundeza do meu sorriso. É difícil ser mulher negra, e minha beleza estética – a única característica que é valorizada numa mulher – não valer de nada. Para nada. É difícil ser mulher lésbica, ficar tão contente por ter achado a mulher certa, o amor da minha vida, e depois perceber que ninguém fica feliz com isso. Perceber que eu não sou mais que um fetiche. Continuo senso hipersexualizada. Nenhuma mulher é livre. É difícil ser mulher em uma sala de candidatos a nova vagas de emprego, e minha inteligência ser questionada só porque um homem a questionou, a humilhou, não concordou. É difícil mostrar quem eu sou, quem eu quero ser quando eu não tenho voz em lugar nenhum. Em casa, no trabalho, no bar. E porque, claro, uma mulher não pode ser mais inteligente que um homem. Não pode ser mais forte que um homem. É difícil ser mulher na juventude, eu não posso transar com que eu quiser, já imaginou? Vão me chamar de piranha. Não me dou o valor. Mas meu irmão pode. Mas meu amigo pode. Então tá tudo bem. É difícil ser mulher e mãe, quando meu único dever é cuidar das minhas crias. Não tenho mais direito á lazer, farra, uma noite de bebedeira, senão, sou uma mãe que não cuida dos filhos. Descontrolada. Mas claro, o pai dos meus filhos pode! É difícil dar o sangue pelo meu filho, vê-lo crescer e eu virar seu maior pavor e temor. Mas e o pai dele? Aquele que me largou cuidando do meu filho, sozinha? É o herói. É difícil ser mulher e cometer erros. A traição é algo abominável. Imagina só. Mas meu pai traiu a minha mãe. “Ah, normal, homem é assim mesmo. ” Difícil é ser mulher e querer beber pra caralho. Não posso. Não posso porque homens são predadores. Qualquer passo e eles tentam se aproveitar quando veem mulheres bêbadas quase caindo. Difícil é ser mulher e ser estuprada, abusada fisicamente, psicologicamente e sexualmente. Além disso, a culpa é sempre dela. Difícil é ser mulher e me privarem da minha liberdade desde o berço, e crescer vendo meu irmão fazendo o que ele bem quiser. É homem mesmo. Agora eu tenho que me dar o valor. Aprender a cozinhar, varrer a casa e lavar louça. Difícil é ser objeto feito para consumo masculino, um pedaço de carne, muda, sem opinião. Difícil é nascer inferior só porque sou mulher e ter que provar superioridade de alguma forma durante a vida. O homem já tem desde que nasce. Difícil é não ser respeitada e ter que CONQUISTAR o respeito durante a vida. O homem já tem isso desde que nasce. Difícil é ser mulher e ser sensível, onde seus sentimentos nunca são ouvidos e vistos apenas como “draminha de mulher”. Só pra chamar atenção. Difícil é ser mulher e ter paz. Mulher não conseguiria paz nem se tentasse. Mulher não serve pra nada se não for pra servir ao homem. Difícil é ser mulher e passar por tudo que ela passa, e no final do dia ainda ser chamada de exagerada, maluca. Difícil é ser mulher. De todos os jeitos possíveis, difícil é ser mulher.
Fácil é ser homem.
Mas porque diabos eu desejaria ser homem? Odeio caminhos fáceis.
segunda-feira, 15 de junho de 2015
Podia ser insônia. Aquela insônia pesada que quase cega os olhos ás 4 da manhã. Podia ser aquela tristeza aguda que entra e estupra a alma á noite quando me deito no meu colchão velho. Podia ser só um vazio que alguém esqueceu no meu peito e emudeceu. Podia ser tantas angústias e sonhos desfeitos. Mas não foi nada dessas luxúrias. Foi o amor. O amor que arrombou a porta e veio pegar o que era dele. O meu pequeno coração despedaçado.
Ninguém pra ligar. Ninguém pra dizer “ei, eu tô mal. vem me ver.”. Ninguém pra sair de casa as três horas da manhã e vim tentar me entender. Eu estou pedindo demais ao mundo. Implorando um amor que não existe. Ninguém para retribuir a parte de mim que doou. Sinto que até deus me deixou. Cansada das minhas questões. Estou só no universo. Presa na minha existência que não acaba nunca. E cansada demais em persistir.
sábado, 6 de junho de 2015
O universo tá cagando pra como você se sente. O sofrimento vêm pra todos, a mesma coisa acontece com pessoas boas e ruins. Coisas boas e ruins acontecem com pessoas boas e ruins. O problema não é o que acontece em sua vida, e o que deixa de acontecer. O problema é a diferença dos indivíduos. Pessoas tem reações diferentes á situações. E está ai a grande resposta: algumas pessoas lidam melhor. Outras não.
Eu não sou uma dessas pessoas que lidam melhor com sofrimento. Não sei veleja-lo calmamente. Não. Isso não existe pra mim.
Eu não sou uma dessas pessoas que lidam melhor com sofrimento. Não sei veleja-lo calmamente. Não. Isso não existe pra mim.
quinta-feira, 4 de junho de 2015
Objetivo
Eu sei. Engolir a dor é trovoada na mente. Mais uma mágoa somada é dor no peito, dor latejante, dor que nasce faísca. A lágrima já está azeda de não suportar mais culpa dentro de si. A paciência já esqueceu-se de aparecer em momentos como estes. Tudo isso: o ciúme, a culpa, a tristeza, a ânsia, é culpa de quem sente muito. Sentir muito. Não, não é uma desculpa. É sentir tanto até os pelos do corpo se ouriçarem mesmo. É perceber o coração apavorado, se apertando por dentro. A solidão não merece o sentimento. Mas precisa dele.
sábado, 30 de maio de 2015
Eu não sou feita de dor como as pessoas pensam
Não é todo dia que dói. Ás vezes o riso é sincero, e a companhia, segura emocionalmente. Ás vezes o viver não sufoca. Mas o tormento me abraça todos os dias, e o desprezo o sustenta em meu calor. Não sei, talvez seja falta de amor. Amor sincero. Falam que eu entristeço por pouca coisa. Mas não notam, que eu fico feliz por pouca coisa também.
terça-feira, 19 de maio de 2015
Silêncio x Palavras
A chuva traz sensação longínqua de paz. Traz também desespero por aconchego, onde o silêncio sufoca, empurrando garganta á baixo. Empurra até a mente desconhecer e não tentar mais decifrar o incômodo do vazio penumbre e berrante. O silêncio é o maior inimigo das palavras, quando elas querem dizer algo como se houvesse, e necessitasse da mudança espancada, no minuto seguinte. O silêncio gosta é de conforto. Da mesmice. E as gotas da chuva que caem na janela do meu quarto, é a chave da porta dessa monotonia saturada.
Dentro de mim, não lido mais com o silêncio, nem tanto com as palavras. As palavras escondem-se á qualquer falso alarme de ataque do silêncio.
O silêncio berra. Mas as palavras ficaram surdas.
Dentro de mim, não lido mais com o silêncio, nem tanto com as palavras. As palavras escondem-se á qualquer falso alarme de ataque do silêncio.
O silêncio berra. Mas as palavras ficaram surdas.
segunda-feira, 11 de maio de 2015
sábado, 9 de maio de 2015
sexta-feira, 8 de maio de 2015
Medíocre (?)
O ato mais irresistível e covarde é o de: ser medíocre. Como abomina e fascina ao mesmo tempo, como se antônimos se correspondessem e formassem um só resultado, objetivo. O ser medíocre nos faz em um conforto empilhado, mas apresenta-se irresistível ao ponto de não existir ansiedade do não querer mais que o já conquistado. O medíocre tenta, porém alivia. Absorve espantalhos da mente onde o piso não é mais terreno. A mediocridade deixa tudo vazio. Evapora conquistas e incentiva um complexo de inferioridade inimaginável.
sexta-feira, 24 de abril de 2015
Eu sou tudo aquilo que disseram que eu não era
Certos rótulos em certas formas de se dizer corroem a alma e largam palavras dentro do ouvido da escória. E as palavras se fundem e se afundam, as palavras mofam e criam poeira, dentro de uma zona dística de conforto que possui ventania leve. E a gente se habitua a usar aquilo ao nosso favor. São tantos favores que chegam a ser desfavores inconscientes. Me cansa todo esse pragmatismo emocional e as etiquetas que grudam na minha testa. Mas quero alguém que assuma a verdade mal-cheirosa, aquela que não toma banho a cinco dias. Com arrependimento e remorso eu digo, eu crio, eu invento, eu imagino a verdade. A verdade mutável, a verdade fixa. Eu não sei. Mas é uma verdade. Se não aqui, é em outro lugar. E será aqui um dia. Mas alguém pôs o dedo na minha goela e eu pude dizer: eu sou tudo aquilo que disseram que eu não era.
Eu sou a ruindade e o grotesco.
Mas não me anulo também da bondade e mansidão.
O bom e o ruim andam de mãos dadas. O ser humano é tudo aquilo que diz não ser. Somos o neutro e o imóvel em estado de convulsão, chocando-se na plenitude do chão.
Eu sou a ruindade e o grotesco.
Mas não me anulo também da bondade e mansidão.
O bom e o ruim andam de mãos dadas. O ser humano é tudo aquilo que diz não ser. Somos o neutro e o imóvel em estado de convulsão, chocando-se na plenitude do chão.
segunda-feira, 20 de abril de 2015
Meio-dia de uma segunda-feira
No âmago mais insaciável do meu ser, avista-se á fundo um buraco negro. Um buraco que usurpa robustez, assim como a relação de um vampiro com o sangue humano. Eu encontro a força, mas não há a oportunidade de se dar o primeiro passo. O primeiro passo nasce do lado de dentro, mas meu lado de dentro é indecifrável. Trancafiado por vinte e sete chaves. O que penso que ainda está por decifrar, já decifraram. E o que já decifraram o deparei morto e sujo com moscas morando em cima daquele rigor, impenetrável. O sentimento é inválido quando o ceticismo grita no ouvido da inocência. E eu tento controlar os gritos, evita-los de entrarem, mas é tudo oco. Não existe saída e não existe guia. Eu poderia doar meu coração para alguém. Um dia.
quinta-feira, 16 de abril de 2015
Frio
Meu paladar não saboreia mais os gostos exóticos que achava que saboreava. A soberba chegou á um estado que ficaste todo pobre, em que não existe nem mais a prática e eficiente de auto-estima. Minha pele se dilatou em um dia comum. Lágrimas desceram e rolaram até o peito. Amargurado e agora sem prazer usual. Minha ferida se tornou invisível. Transformou-se e nada mais tromba em meu caminho coberto de lama, onde sujando meu sapato em casa já chego também com a alma suja. O dia está ensolarado, mas aqui dentro faz frio. Faz frio e neva excessivamente.
O chão tinha uma mensagem escrita em giz, mas eu não consigo ler. Alegoricamente, a neve me cega.
Resto
Eu daria meu coração para você. Cada pedacinho que você quebrou. E faria você fazer questão de construí-lo novamente, com as suas próprias mãos que jogaram pedra no mesmo. Faz tanto tempo mas em certos dias me pego no ócio pensando sobre. Você, o que nunca deu certo e toda a bolha meticulosa que nos envolvia, acidentalmente. Dias de hoje sou só resto de uma paixão que não ficou. Sou resto da areia que costumávamos pisar, sou aquele grão que esmagaste com os pés e não percebia, assim, bem daquele jeito sonso de ser que você tinha. Não acho que saudade seja o sentimento certo, mas colocando as cartas na mesa, não tem outra palavra no nosso mundo que descreva o aperto no peito de relembrar passado. Se outras palavras existirem para essa consternação em um vácuo, um dia eu invento.
quarta-feira, 15 de abril de 2015
Nos acostumamos (2)
Acho que me acostumei á coisas demais. Tenho uma vontade absurda de fazer o que não faço, de costume. Mas não o faço, pois me acostumei. Como eu digo para as pessoas que eu amo, que eu as amo de verdade, se palavras não são concretas e vão perdendo o sentido a cada vez que são repetidas? Se são repetidas todos os dias sem ter a intenção de provocar nada? Palavras não significam nada. Mas ás vezes significam tudo.
O açúcar em casa acabou, tenho que me arrumar para ir ali no mercado. Mas, se arrumar pra quê? No final de tudo, não é a primeira impressão que fica mesmo.
Eu acordo todos os dias e saio da cama. O sair da cama não representa nada pra mim. As pessoas saem da cama para poder viver. Eu saio por costume. Pra quê sair da cama se não vejo sentido no viver?
Eu queria achar um jeito de dizer para as pessoas que eu amo como eu as amo.
Eu queria que ás vezes fosse a primeira impressão que ficasse. As pessoas são uma teia de obscuridade no final de tudo. (Apesar deu gostar disso).
Eu queria achar sentido no viver.
Me acostumo á coisas demais.
O açúcar em casa acabou, tenho que me arrumar para ir ali no mercado. Mas, se arrumar pra quê? No final de tudo, não é a primeira impressão que fica mesmo.
Eu acordo todos os dias e saio da cama. O sair da cama não representa nada pra mim. As pessoas saem da cama para poder viver. Eu saio por costume. Pra quê sair da cama se não vejo sentido no viver?
Eu queria achar um jeito de dizer para as pessoas que eu amo como eu as amo.
Eu queria que ás vezes fosse a primeira impressão que ficasse. As pessoas são uma teia de obscuridade no final de tudo. (Apesar deu gostar disso).
Eu queria achar sentido no viver.
Me acostumo á coisas demais.
terça-feira, 24 de março de 2015
Falando de outra coisa
Preste bem atenção á aquelas pessoas que nunca tiveram atenção. Dê espaço, mais espaço do que o que você já teve e ainda tem pois se encontra em uma posição de privilegiado. E inconscientemente, opressor. (Ás vezes até consciente mesmo). Todas as mulheres, negros, gays, trans, pessoas de classe baixa, e no geral, a camada oprimida e sem voz na cidadania, sentem o peso de abaixarem a cabeça todos os dias. Em uma discussão social, nunca trate a opinião do oprimido como se ele estivesse no mesmo patamar e na mesma classe que você, privilegiado. É como se fosse mais uma tentativa incansável de abaixar a cabeça deles perante o mundo. Por isso, em um debate entre um opressor em um oprimido, é inadmissível que, o opressor venha com um papo de "se quer que eu te respeite, me respeite também", pois muitas vezes, o oprimido não vai respeitar, e será aceitável, com razão. A pele dele(a) já levou queimaduras demais, e agora ele(a) já não tem carvão para acender outro fogo em cima dele. Não mais. A abertura da consciência daquele que já foi pisado pela sua cultura e pela sociedade que o mesmo vive, repetidas vezes por dia, por ano, por vida, é a maior chave de libertação de um controle imposto desde o nascimento. Quando o oprimido toma consciência das causas de injustiça e desigualdade que enfrenta, a felicidade e a tristeza se guiam juntas e se tornam um sentimento só. Como, a luta vale á pena, para ser um cidadão livre.
sexta-feira, 13 de março de 2015
Nos acostumamos.
A gente se acostuma á coisas demais. Eu parei pra pensar nisso quando todo mundo reclamava que eu deixava sempre minha mãe de motorista quando ela me dava carona e não a acompanhava na frente. Eu sempre fui acostumada a ir no banco de trás do carro. Na época de colegial, meu irmão mais velho sempre sentava na frente, e como é reproduzido em todas as famílias, o mais novo sempre senta atrás. E fomos crescendo, e acabei me acostumando a ir sempre no banco de trás, e ele sempre no banco da frente. Nos mínimos detalhes, não enxergamos, mas é verídico. Nos acostumamos á coisas que não deveríamos nos acostumar. Nos acostumamos a ter sempre a sobra de comida, nos acostumamos a deixar os outros em primeiro lugar e nos deixarmos por último porque nos cansam de dizer que a humildade é algo que o ser humano deve estar sempre cativando. Nos acostumamos a só querer e não poder, nos acostumamos á levar sermão e ouvirmos calados. Nos acostumamos a ser submissos. É um costume que adoece.
quinta-feira, 12 de março de 2015
terça-feira, 3 de março de 2015
Boa noite, tristeza
Eu cansei de contar sobre minha tristeza para todos os cantos da vida. Para as poesias, para as pessoas... Para mim. É um hábito que com o tempo se torna banal e desgastante. Ninguém se interessa mais. (Se é que já se interessaram alguma vez). Pra quê contar toda semana para tal alguém que te magoaram? Ou que se sente sozinho como ninguém nunca se sentiu? É inútil contar com o ouvido das pessoas porque algumas informações, entram por um ouvido e saem pelo outro. Ninguém está interessado em saber sobre como eu me sinto. E também nunca me perguntam como eu me sinto sendo eu. Como eu me sinto em todas as situações possíveis. A conversa não existe. É só a vingança por trás daquele carinho superficial que recebo.
Guardar pra mim e sofrer sozinha talvez seja mesmo, a melhor opção.
Guardar pra mim e sofrer sozinha talvez seja mesmo, a melhor opção.
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015
sábado, 14 de fevereiro de 2015
Desabafo chato
O dia está amanhecendo e eu ainda não achei um jeito de lidar com minha insegurança. Passo o dia todo pensando demais em assuntos desnecessários, e acabo nunca chegando a uma conclusão. Acho que quem pensa demais tem disso. Sofre, sofre, sofre, e no fim, não acha solução pra nada. Eu já estou desistindo de tentar achar alguma solução pra esse desconforto aqui dentro. Estou cansada de ser tratada como última opção, ser vilipendiada e descartada, e tentar agir como se isso não me machucasse. Mas não quero demonstrar fraqueza. Então, o que faço? Eu não sei o que dói mais: o não falar, ou o falar e não receber o que eu esperava. Ah! Claro, outra coisa de quem pensa demais, idealiza, cria expectativa e depois quebra a cara. E quebra feio, pra deixar cicatriz pelo rosto todo. Ah, mas todo o motivo deu ser alguém tão triste e nunca conseguir me ver como uma pessoa feliz é isso.
Pensar demais.
Pensar demais.
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015
Todo mundo sempre diz: "Temos que dar tempo ao tempo" ou qualquer frase relacionada com esperar o tempo passar. E nesse tempo que esperamos, o que a gente faz? Enlouquecemos, tentamos novas formas de se matar, conseguimos sucesso, fazemos novas vidas? Acabaram de falar isso pra mim e eu realmente não sei o que fazer enquanto espero. Talvez enlouqueça.
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015
Confissão
Tem muita coisa que me torna incompleta. Que me incomoda, mas mantenho a alma calada por ser tolo demais.
Gírias me incomodam. Eu não sei, são expressões de influência que não significam nada quando são ditas. E eu preciso que as coisas façam sentido quando dialogadas. Elas também não expressam emoção nenhuma. Evitam. Gírias são a pior coisa do mundo.
O olhar olhado para mim me intimida. O olhar não olhado para mim me entristece. Se olharam provavelmente tiveram uma primeira impressão errada. Se não olharam é porque não me notaram, e se não me notam é porque eu não sou ninguém importante.
Eu remoo mágoa o tempo inteiro. Acho que por isso não consigo focar em projetos de vida, pois penso nos detalhes que passo as horas do dia remoendo.
Eu penso mais do que excessivamente nas minhas relações sociais. E isso no final do dia me deixa louca.
O esforço de ter alguém que se ama por perto é quase inexistente. Pois nossa geração vive em uma zona de conforto, e ninguém faz nada por ninguém.
Eu faria tudo por pouca gente, mas eu sei que, se fizer, vão me taxar de desestabilizada mental por eu não me adequar a esse padrão egoísta e egocêntrico da população. Eu não vivo em um conto de fadas. Por isso também não faço nada.
Gírias me incomodam. Eu não sei, são expressões de influência que não significam nada quando são ditas. E eu preciso que as coisas façam sentido quando dialogadas. Elas também não expressam emoção nenhuma. Evitam. Gírias são a pior coisa do mundo.
O olhar olhado para mim me intimida. O olhar não olhado para mim me entristece. Se olharam provavelmente tiveram uma primeira impressão errada. Se não olharam é porque não me notaram, e se não me notam é porque eu não sou ninguém importante.
Eu remoo mágoa o tempo inteiro. Acho que por isso não consigo focar em projetos de vida, pois penso nos detalhes que passo as horas do dia remoendo.
Eu penso mais do que excessivamente nas minhas relações sociais. E isso no final do dia me deixa louca.
O esforço de ter alguém que se ama por perto é quase inexistente. Pois nossa geração vive em uma zona de conforto, e ninguém faz nada por ninguém.
Eu faria tudo por pouca gente, mas eu sei que, se fizer, vão me taxar de desestabilizada mental por eu não me adequar a esse padrão egoísta e egocêntrico da população. Eu não vivo em um conto de fadas. Por isso também não faço nada.
domingo, 8 de fevereiro de 2015
Ditado dolorido
Tem um ditado que sempre me dói e aperta o peito quando ouço ou o leio. "Quem não é visto não é lembrado". Eu queria muito que isso fosse uma mentira, que fosse apenas um ditado banal, que possa ser apenas questão de opinião. Mas não é. As pessoas acham que é mentira mas vamos encarar os fatos, todo mundo está ocupado demais para ir saber como está fulano em dias de depressão. Um amigo seu falta ao trabalho, ao colégio, á mesa de bar em um final de semana. Ninguém realmente quer saber o motivo do porquê ele ter faltado.
E esse ditado, quando o mencionam me faz ter uma vontade absurda de morrer.
Porque não é como se eu estivesse sempre lá.
Não é como se eu estivesse disponível todos os dias.
Eu não sou vista quando eu estou em dias de caos emocional. E acho que ninguém para pra pensar nessas coisas.
Então quer dizer, isso retira toda a importância que eu achava que eu tinha para as pessoas?
Ninguém é preso a ninguém.
Eu queria ser importante.
E esse ditado, quando o mencionam me faz ter uma vontade absurda de morrer.
Porque não é como se eu estivesse sempre lá.
Não é como se eu estivesse disponível todos os dias.
Eu não sou vista quando eu estou em dias de caos emocional. E acho que ninguém para pra pensar nessas coisas.
Então quer dizer, isso retira toda a importância que eu achava que eu tinha para as pessoas?
Ninguém é preso a ninguém.
Eu queria ser importante.
Paranoia
Aquele medo surreal e irracional, vindo de dentro sem motivo aparente, é o medo da não aceitação, do não entendimento dos outros. Quando você age diferente comigo por qualquer motivo, ou por qualquer besteirinha, nunca vou achar que o problema é seu. O problema é meu, e o transformo no maior do mundo, aquela tempestade em um copinho minúsculo de água mesmo que você está imaginando, que está mais vazio do que cheio. E no copo vazio, ninguém lembra que ele está cheio de ar também. E que tá cheio de possibilidade de tudo acontecer.
E então meu coração começa a bater muito rápido, o suor frio brota em minha pele, me arrepio sem mais nem menos, enlouqueço por dentro, onde loucura de dentro toma vida do lado de fora, virando indelicadeza e as sensações de desmaio tomam conta de mim de novo.
Teu sorriso diferente representa pra mim felicidade fingida. Tristeza. Raiva. Angústia. De mim por algum motivo. O problema é comigo. Sempre comigo e nunca com você. Esqueço que você tem problemas também, onde eles não se encaixam somente nas relações sociais, demasiadamente. Essa merda desses detalhes me fazem enxergar coisa onde não tem.
Minha cabeça é tão fodida que só consigo pensar em mim como o centro de todo o caos e problemas.
A cura para isso: rivotril e bebedeira.
Culpa da lua em virgem.
Sofrimento
Não sei se o problema está em mim, ou nas pessoas. Não sei se
está nas palavras ditas, ou nas não ditas. E essas dúvidas fodem com a minha
cabeça. Hoje não consegui dormir chorando tanto por saber que as pessoas,
principalmente aquelas que eu confio, na verdade não me conhecem. Não
sabem quem eu sou. Me julgam como se ficasse
tudo bem. Mas não fica. Nunca fica. As palavras ditas, eu guardo pra sempre. As palavras não ditas, magoam. Pois eu espero que sejam ditas. Mas nunca são. Mas a
verdade é que ninguém se importa de verdade com o que eu sinto. E nunca ninguém
se importou. Eu posso ter machucado as pessoas, mas nunca deixei de me importar com elas.
Porque ninguém se importa comigo?
“Minha solidão nunca se encontrou com outra.
Meus passos são tortos e acabam voltando ao início.
Minha solidão nunca se encontrou com outra.
Não da mesma intensidade.
Aquela intensidade que te faz esfarelar, descansando ao chão
como pó.
Minha solidão nunca se encontrou com outra.
É triste ser solitário sozinho.”
A quem culpar?
Como sempre, a solidão invocou em mim quando eu estava no ócio. Veio junto com a dor de pensar demais e de inventar rótulos para tudo
que sinto.. Acho que preciso parar de pensar tanto, e focar em
objetivos. Não há outra alternativa a não ser me matar se eu não mudar minha
postura diante dos dias e as pedras que encontro no caminho. Eu vivo numa
prisão que eu mesma construí dentro da minha cabeça.
E não tem mais como sair.
Eu vou ter que viver com isso pelo resto da vida.
E parece que não existe mão
amiga por aqui. Acho que nunca existiu na verdade. Eu gosto de me iludir com
essas atitudes ingênuas e imaturas de achar que realmente o amor e a amizade
prevalecem em momentos difíceis. Não. Não é nada disso. Eu levo uma queda
quando estou sonhando, e dor e a vontade de suicídio volta toda outra vez. Só é um sentimento
superficial que fica.
Mais um dia daqueles
Hoje
é mais um dia que minha tristeza se transforma em rotina. Não só tristeza, acho que decepção também. Minha dependência emocional para com os outros
se torna um subjetivo sufocante e rancoroso. Não tem cura, creio eu. E o peito aperta, como se fosse explodir. Porque
isso não está acontecendo agora, isso acontece sempre. A minha vontade é de
dormir pra sempre. A de nunca mais voltar a fazer e concretizar nenhum sonho,
que pela minha cabeça, já está sendo demolido há tempos que passaram. E nessas
horas da noite, hora em que tenho que dormir para aguentar, no peso das costas,
a dor de sobreviver á dias que sou obrigada a seguir, perco o amor, a alegria,
a essência. E sobra essa solidão, que não sei bem se posso chamar de um tipo de
“irmão” da tristeza. Dá vontade também de nunca mais correr atrás de ninguém,
de manter-me presa a fertilidade da minha cabeça, evitando dar de cara a cara
com o mundo. Mas não quero causar danos externos. Quero que sangre apenas a
mim, e a mais ninguém. Que o sangue escorra até a alma, para eu sentir até os pelos
se ouriçarem, de tanta dor que carrego em existência, e que ninguém entende.
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