sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Reinado da lua

Eu sou docemente apaixonada pela solidão. Mas não aquela fria, gélida e beirando ao fim de vida. Mas creio que todos os apaixonados por esta sensação depararam-se com o outro. O meio frio de que falo. Mas ela, em toda sua pureza, o que conseguimos fazer junto á ela, pura e limpa sem poeiras de fora, é de se invejar outros que por ora, a desprezam. Minha voz quando não sai está á pensar somente nela. Eu vejo introspecções vazias que nunca são levadas para passear. Donos malditos e mau-criados. A subjetividade destes vai apodrecendo dentro de si mesmos. Não ilumina assim. É para ser sentida, a famosa solidão apedrejada. Silenciam todo o ser que sente. Que sente muito. E estes, que somos nós, nos encontramos parados em frente ao mar. Com a luz da lua iluminando o choro imprevisto.
Silenciam o coração. Consequência de mãos que muito escrevem.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Pensamento manual

Tenho uma sensação dilatada de estar observando toda a vida, sempre do lado de fora. Da janela, da poltrona da sala de cinema, e da cadeira do escritório. Como se eu estivesse no meio do mar, vendo todos passarem em minha frente, como miragem. Secundarista e minimamente terceira pessoa. Apesar de, viver a vida como devia (e creio que o faça como outras pessoas também o fazem), nada disso parece condizer com o sentimento de não pertencer á lugar nenhum. Não pertencer e não saber que estou lá. Soa levemente estranho quando escrevo ou digo. No inconsciente no fim de tudo, nada parece fazer sentido. Não acredito na real possibilidade da minha existência ser concreta, em um sentido geral da palavra. Não é e nunca será. É como se fosse um vulto. Tanto aqui como em qualquer alusão de tempo e espaço. Se penso direito, nem sei se me criaram neste mundo. Nem sei se vivo nele.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Precipitado precipício

Ela olhava para mim como se estivesse transando comigo com os olhos. Era um desejo magnético e suavemente sexual. Mas tenho um apetite incansável por paixões platônicas e buscas de amores eternos. Minha cabeça lambuza desejo com amor. Ver uma flor se abrindo já imaginando ela se fechando, e morrendo. Sou estabanada até o talo do final da alma, quem me conhece sabe que é assim. Eu não tomo jeito para sexos casuais e paqueras de carências momentâneas. Bebo até não sentir tanto e não pensar muito. Eu sou criança com tentativas de fazer desaparecer minha ingenuidade. Acordo e durmo pensando em romances e beijos curtos no café da manhã. Eu confundo o quê? Nem sei mais. A esqueço de vez, mas a encontrar na rua é um disparo que meu coração se rende no mesmo minuto. Tudo volta. A paixão ou o desejo? Minha consciência não separa os dois. Tenho medo de relações profundas, mas não vivo sem elas. Esse medo, eu gosto. Eu gosto do jeito que ele me dá sustos no meio da madrugada.