sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Quando dormimos juntas

Te crio em mil caricias despercebidas
Em cima deste rosto sereno
Com mil e um beijos adocicados que inventei
Inventei que ainda te darei
Nada se passa tão despercebido quanto a minha carência de você
E junto a você, completamente e finalmente
Ser.

Eu poderia passar a noite acordada só te observando dormir nos meus braços
Porque o íntimo se revela na não-vigilância, e ainda saber
Que está sob vigília.
Pois quando se divide a cama
Nossos corpos nus - sem pijama - transitam em adoração ao drama
De ter sido intimo; intimo antes pestanejado.

E adoro a imagem que vejo, a imagem que me preza.
Tão quieta de encanto; cabelo de cor, com a boca aberta.

Nunca imaginaria que conheceria deus.
Assim - nu; com grandes coxas junta aos meus.
E no beijo e no carinho que te dei; onde acontece rápido
Eu choro: pois agora me torno feliz
Na boca, no pálido.

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

"Só tinha de ser com você"

Você sorri para mim e nem faz ideia de que me despedaço toda vez que nossos olhos se penetram. Teu corpo tem uma calma que o meu não tem. Isso é completude. O transbordar é o meu querer se impregnar no seu avesso. Teu cheiro parece que fica fincado dentro dos meus poros quando você se vai, fechando a porta da sala de estar devagar, para não acordar ninguém. Ele se finca e parece que me vasculha por dentro. Eu não sei o que você encontra em mim, que eu não consigo encontrar. Mas eu deixo tudo isso se revirar. Agora já foi. Não consigo te olhar e te enxergar mais de forma serena. Queria te rasgar por fora só para me relacionar com seu lado de dentro.
Eu queria que, sempre quando deixasse minha cama, deixasse teu coração ali comigo. Para eu ve-lo doer de forma tão genuína. Para ouvi-lo bater, dilacerando, embrulhado no meu lençol.

No sentir demais por alguém, se gera quase que um corpo desolado

Eu, desde que me conheço por gente nunca gostei de me perder, e quase nunca me acho em tempo melindroso. Mas quando eu te conheci eu gostei de me perder. Nos seus olhos, no olhar que transpassam mais que um olhar, e na sua boca, principalmente quando sorri, transcende mais que uma alegria á me arranhar. Eu gostei de como meu paladar saboreou isso tudo, e de como tudo isso me faz perder-me de mim mesma. E eu continuaria me perdendo.
Porque essa é a melhor perda que eu poderia ter.