Você sorri para mim e nem faz ideia de que me despedaço toda vez que nossos olhos se penetram. Teu corpo tem uma calma que o meu não tem. Isso é completude. O transbordar é o meu querer se impregnar no seu avesso. Teu cheiro parece que fica fincado dentro dos meus poros quando você se vai, fechando a porta da sala de estar devagar, para não acordar ninguém. Ele se finca e parece que me vasculha por dentro. Eu não sei o que você encontra em mim, que eu não consigo encontrar. Mas eu deixo tudo isso se revirar. Agora já foi. Não consigo te olhar e te enxergar mais de forma serena. Queria te rasgar por fora só para me relacionar com seu lado de dentro.
Eu queria que, sempre quando deixasse minha cama, deixasse teu coração ali comigo. Para eu ve-lo doer de forma tão genuína. Para ouvi-lo bater, dilacerando, embrulhado no meu lençol.
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