sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Quando dormimos juntas

Te crio em mil caricias despercebidas
Em cima deste rosto sereno
Com mil e um beijos adocicados que inventei
Inventei que ainda te darei
Nada se passa tão despercebido quanto a minha carência de você
E junto a você, completamente e finalmente
Ser.

Eu poderia passar a noite acordada só te observando dormir nos meus braços
Porque o íntimo se revela na não-vigilância, e ainda saber
Que está sob vigília.
Pois quando se divide a cama
Nossos corpos nus - sem pijama - transitam em adoração ao drama
De ter sido intimo; intimo antes pestanejado.

E adoro a imagem que vejo, a imagem que me preza.
Tão quieta de encanto; cabelo de cor, com a boca aberta.

Nunca imaginaria que conheceria deus.
Assim - nu; com grandes coxas junta aos meus.
E no beijo e no carinho que te dei; onde acontece rápido
Eu choro: pois agora me torno feliz
Na boca, no pálido.

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