segunda-feira, 24 de agosto de 2015
Hera.
A saudade metódica alivia-me, de certa forma, de conflitos internos apreensivos que em um futuro breve pretendia transforma-los em rancor sem nexo e sem explicação. A saudade é metódica e o amor platônico, perfeccionista. As arrumações emocionais através dos semblantes fúnebres, atenua-me em um jardim de abraços e beijos, dentro de uma cela.
quarta-feira, 19 de agosto de 2015
Um poema transmissível.
Tudo isso,
tudo isso é muito perigoso.
Sentir a bolha da vontade e do desejo,
Envolvendo-te como armadura de aço.
Do desejo angustiado de voltar atrás,
Como se fossem passos,
A serem repisados.
Se a escolha caber a ti,
É inegável,
Antes de pedir permissões á cabeça,
minha boca dirá sim.
Mas me sinto nua,
Toda vez.
Toda vez que você penetra esse olhar,
Em mim.
tudo isso é muito perigoso.
Sentir a bolha da vontade e do desejo,
Envolvendo-te como armadura de aço.
Do desejo angustiado de voltar atrás,
Como se fossem passos,
A serem repisados.
Se a escolha caber a ti,
É inegável,
Antes de pedir permissões á cabeça,
minha boca dirá sim.
Mas me sinto nua,
Toda vez.
Toda vez que você penetra esse olhar,
Em mim.
sábado, 15 de agosto de 2015
A dor é a arma.
Estou cansada. Cansada de sentir a análoga e insuprível dor em forma de pontadas agudas no fundo do peito, e escrever sobre elas repetidamente, sequencialmente, ignorando o fato de se ter idéias inéditas sobre as quais absorver-se e infiltrar-se. Me mantenho presa nessa teia sem saída que é o buraco negro do meu pensamento consternado e aflitivo. Tudo que me permito enxergar é apenas isso. O que será que vem após isso? Após a vida, a morte, eu não sei. As memórias das minhas experiências pessoais estão me corrompendo a um nível ego-melancólico que não desejo á ninguém de bom espírito. Eu recebo esses cortes, e eu não consigo parar de sangrar por eles. Ocasionalmente acho que me beiro á loucura, ocasionalmente tento atingir o controle respirando fundo, impedindo as crises de pânico de manipularem a cabeça e corpo e amarra-los como um só. A dor, se fosse alma viva, se consideraria de uma personalidade insondável. Quando chega sorrateira, puxar um gatilho se configura a condição mais fácil de se aceitar. Mas outras chegadas em cor preto e cinza virão. Não puxei o gatilho. Ainda não.
terça-feira, 11 de agosto de 2015
Controle.
É trágico pensar,
e relembrar o passado,
presente na memória.
É básico sofrer,
por decisões precipitadas e bobas,
feitas no ácido da raiva do instante.
Nada de bom existe,
e nada de bom se cria.
São sequências de desânimos,
em uma pressuposição
de que algo bom possa ser criado.
Nossa própria interpretação,
cabe apenas ao nosso entendimento.
E dei-me por vencida,
neste remendo de um rasgo inteiro,
em papel borrado.
e relembrar o passado,
presente na memória.
É básico sofrer,
por decisões precipitadas e bobas,
feitas no ácido da raiva do instante.
Nada de bom existe,
e nada de bom se cria.
São sequências de desânimos,
em uma pressuposição
de que algo bom possa ser criado.
Nossa própria interpretação,
cabe apenas ao nosso entendimento.
E dei-me por vencida,
neste remendo de um rasgo inteiro,
em papel borrado.
segunda-feira, 10 de agosto de 2015
Corpo.
É o que o corpo escorre e derrama: feridas abertas, cicatrizes e estrias. Enjoos, náuseas e calafrios. Me encontrei presa em meu próprio corpo em um pesadelo e acordei no meio da madrugada com medo de enfrenta-lo no espelho outra vez. O pesadelo ainda persistia do outro lado. Mas o nervoso e o tremor na alma e na pele me fazem lembrar que ele ainda vive. Ainda sofre e ainda chora. Ainda nasce e se recria. O peso de levantar e se erguer da cama orgulha-se que o corpo ainda também celebra de suas formas tortas. Também escorre e derrama o sorriso, o gozo, a vontade e o tesão. O corpo não deixa portas destrancadas. O corpo é toda esta prisão sem término. O corpo é toda esta asa quebrada que falha em voos terminais. Mas o corpo é toda esta festa em rascunhos inocentes também. É uma liberdade dos deslizes que vem de dentro. O corpo usurpa e revive. O corpo é corrente e asa quebrada. O corpo é prazer e sentido. O corpo é de tua vontade. A razão tenta sufoca-lo com um saco plástico em dias secos e apáticos. Mas corpo é meu. É teu. É nosso, e não da mente.
quinta-feira, 6 de agosto de 2015
Para alguém que cuida de mim (e que deve me conhecer bem).
Eu sei que muitas vezes sou mau humorada e difícil de agradar. Sei que sou rude, rígida e grosseira por ás vezes estar ligada á um tipo de atenção que quero, e não posso ter. Eu sei que muitas vezes tenho que ser tratada como uma criança que merece cuidados especiais e carinhos em excesso porque, assumindo: a minha natureza não me deixa esconder. Eu sei que sou alguém fácil de enlouquecer se não tiver companhias familiarizadas. Não sou feita para ser feliz sozinha. Não sei dançar com a solidão, e você sabe muito bem disso. Eu gosto dela, mas não a suporto por muito tempo. Eu sei que sou neurótica e faço acusações injustas com minhas neuroses psicóticas. Eu sei que sou essa essência triste, melancólica e que não consegue enxergar a vida linda como flores e agradável como um banho quente. Eu sei que já tentei tirar minha vida e ainda continuar vivendo é absurdamente insuportável pra mim, e você já não consegue entender mais essa minha dor. Eu sei que sou toda torta desse jeito. Mas eu te juro que eu não queria ser assim. E eu queria tanto que você não desistisse de mim. Eu sei que eu sou fraca. Mas, se você estiver desistindo de mim, você é uma pessoa fraca também.
Meus olhos fitam até o último nível de cansaço da minha alma, que transa todo dia com a juventude do meu corpo. Em uma cama velha e quebrada, onde se torna quase impossível acontecer um ato sexual ali. Mas acontece sempre. Se torna um estupro. Minha alma insegura ultrapassa os limites, jogando tuas inseguranças em forma de raiva, acontecendo um estupro diário contra meu corpo. E ele não resiste mais á essa força. É estável demais. Meu corpo está cansado de lutar contra a insensatez da alma. E a minha mente guarda toda a poeira pesada dos acontecimentos.
A luta está quase acabando. Eu pressinto. A boca sangra em tom de choque, sangra mudo, sangra se atuando imune.
A luta está quase acabando. Eu pressinto. A boca sangra em tom de choque, sangra mudo, sangra se atuando imune.
domingo, 2 de agosto de 2015
Vinho.
A perda foi imensa. A perda que esqueceu-se da própria existência, e deixou um gosto amargo em minha boca. Amargo, e do teu rosto, desfigurou-se uma caricatura azeda e exímia onde relutei em esconder debaixo do meu tapete vermelho. Mas o tombo é sempre gratificante no futuro distante. Aquele futuro que não consegue enxergaste nem em miragens. Neste futuro que não chega depressa porque é amigo do presente do pretérito imperfeito. E este presente, que cede e cega as lembranças com um gosto doce e amargo onde desce na garganta, entalando em um paladar estrangeiro. E meu sangue corre em cor de vinho tinto, assim como a cor de tua boca, pela última vez que a vi. Que a vi de tão perto, mas não podia alcança-la mais. Já não podia toca-la. Já não podia beija-la.
E eu derramo o vinho tinto na mesa, para lembrar-me de você outra vez. Eu deixo cair vinho tinto na mesa, legando uma melancolia funcionando como triturador de instintos de um desejo incurável. Tudo isso parece proposital.
O amargo do vinho seco na boca ficou.
E a doçura do vinho tinto na boca foi embora.
Eu derramo vinho para dissolver-se a sua pessoa, como quiser nas pontas soltas da minha memória. Eu não te esqueço.
E eu derramo o vinho tinto na mesa, para lembrar-me de você outra vez. Eu deixo cair vinho tinto na mesa, legando uma melancolia funcionando como triturador de instintos de um desejo incurável. Tudo isso parece proposital.
O amargo do vinho seco na boca ficou.
E a doçura do vinho tinto na boca foi embora.
Eu derramo vinho para dissolver-se a sua pessoa, como quiser nas pontas soltas da minha memória. Eu não te esqueço.
O que dizem as vozes
O pensar do sentir, por si só, já machuca e aperta. A cada ano, mês, semana, dia que vão galgando entre meus olhos obstinados, o nó na garganta e o monstro violento que parasita em mim vão desenvolvendo maior força. Uma força em que - eu, em ânimo e plano vitimista - não advindo de lutar contra eles. Todos os demônios do meu habitat estão limpos e prontos. Todos sorriem estalando os dedos apontando facas cegas em meu rosto nervoso e choroso. Escondo-me embaixo da coberta, enquanto as lágrimas transfiguram a cama em um rio espurco. Empregando a imaginação de que isso - algum dia - poderia salvar-me de ser quem sou. Do sentir. O sentir tudo. O sentir que arde na garganta e queima no peito. O sentir do desespero de não ter como correr para fora de si mesma. Eu não posso fugir. Não posso. E os demônios estão aqui. Os demônios estão parados em minha frente, e tiram a coberta do meu rosto. Descortinam meu mundo de criança. E em vozes duras e rígidas, repetem em tons bárbaros: "Não lhe aguenta todo o peso do mundo. O mundo maltrata. E você é fraca demais para suportar."
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