segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Corpo.

É o que o corpo escorre e derrama: feridas abertas, cicatrizes e estrias. Enjoos, náuseas e calafrios. Me encontrei presa em meu próprio corpo em um pesadelo e acordei no meio da madrugada com medo de enfrenta-lo no espelho outra vez. O pesadelo ainda persistia do outro lado. Mas o nervoso e o tremor na alma e na pele me fazem lembrar que ele ainda vive. Ainda sofre e ainda chora. Ainda nasce e se recria. O peso de levantar e se erguer da cama orgulha-se que o corpo ainda também celebra de suas formas tortas. Também escorre e derrama o sorriso, o gozo, a vontade e o tesão. O corpo não deixa portas destrancadas. O corpo é toda esta prisão sem término. O corpo é toda esta asa quebrada que falha em voos terminais. Mas o corpo é toda esta festa em rascunhos inocentes também. É uma liberdade dos deslizes que vem de dentro. O corpo usurpa e revive. O corpo é corrente e asa quebrada. O corpo é prazer e sentido. O corpo é de tua vontade. A razão tenta sufoca-lo com um saco plástico em dias secos e apáticos. Mas corpo é meu. É teu. É nosso, e não da mente.

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