segunda-feira, 29 de junho de 2015

Eu queria que você soubesse que só você já é suficiente

Sei que suas inseguranças te perturbam e seus medos te inundam. E eu sei que um pedido de desculpas não é válido para o que já aconteceu e rasgou até o fundo da tua alma. Mas me deixa penetrar sua armadura de aço e tocar seu âmago. Eu quero te enxergar sem máscaras. Porque você por si só me basta. Seu riso já basta, me preenche de uma forma incompreensível ao sentir humano. Seu toque me transborda. Eu não preciso de enfeites pra te amar, porque sua essência já me integra a um mundo radioso de sensações. Eu poderia ficar olhando você sorrindo por uma hora seguida e não me cansar. E sua alma crua é tão linda que quase cega. E eu não preciso ter bons olhos para enxergar isso.  

Vitimismo

Eu juro que eu tento me achar uma pessoa boa, na maior parte do tempo. Mas alguns erros são irreparáveis. Alguns defeitos não tem, de maneira alguma, conserto. E essa é a pessoa que eu me torno á cada dia. Eu atravesso a rua, olho para as pessoas, a chuva caindo sobre minha cabeça, e eu não vejo sentido em nada que devia me dar sentido. Eu sou perdida na minha personalidade desfigurada e ridícula. Que não merece nem um pouco de atenção. Nem um pouco. Olha só pra mim:
Triste. E ainda por cima com nenhuma ponta de qualidade pra poder equilibrar os extremos.

O mundo não merece uma pessoa como eu.
E somente vago por aí. Vago espirrando lágrimas injustas.

domingo, 28 de junho de 2015

Os depressivos vivem no passado.
Os ansiosos vivem no futuro.
E os tranquilos vivem no presente.

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Tentando buscar outros rótulos para o amar

Acho que o que mais me agrada nas relações humanas é a lembrança de peculiaridades do outro. As peculiaridades, os detalhes, o microscópio dos insights, são as formas mais inibidas de amar. É o sincero dentro do costume. É o costume que é rotina, mas não enjoa. O apego que não dá náuseas, não se solta uma vontade de vomitar. Um apego que não é tóxico como um perfume é para o nariz. Sem alguma cerveja, sem algum cigarro, sem drogas, ninguém mais se interessa em sair com as pessoas hoje em dia. Não suportam o perigo que é olhar nos olhos de alguém tomando um café depois de acordar com os olhos inchados de tanto chorar a noite toda. Mas eu creio que o amor seja a exceção desses interesses individuais e incuráveis, onde alimentamos a cada dia, como se fossemos máquinas. O amor é a quebra dessa máquina de individualidade. O amor é fomentar peculiaridade dentro de um laço rotineiro. Um laço que nunca se rompe e nunca apodrece, mesmo com esforço. E se um dia der nó, não aperta. Amor é morar dentro desse nó que não aperta.

É uma espécie de nó que folga o coração apertado.

I don't want to die sad

O corpo vem ao mundo, todo nu. E se torna cru. Se torna parte da malícia de um mundo sem portas ou janelas. E para sentir-se vivo é preciso criar uma conexão inquebrável com o mundo. O ódio ao teu corpo nu faz parte da tua conexão com o mundo. É compreensível o ódio ao teu corpo. É compreensível querer uma afeição maior com o mundo do que com tua criação pessoal. Senão não poderia chamar de vida. Seria miséria. Infiltrar-se nesse mundo incita a uma espécie de auto-ódio.
Então, você para e se pergunta:
Quem te criou afinal, seus pais ou o capital?
Tudo que se vê é a casca.
É o que o corpo permite transparecer.
Todo mundo idealiza algo que vê.
Ninguém conhece ninguém.

Boca e Nuca.

O ato da escrita não tem cabimento e repudia quando nada vem a mente. O vazio, o branco borrado de giz. Nada, nada sai da nuca. E da boca, grande companheira da nuca.
As teorias, as melodias, a tristeza, a glória, o gozo. Todas as criações encontraram-se em seus significados mais pequenos e melindres porque a boca conseguiu trabalhar com a cabeça. O que a nuca idealizava, a boca dizia. Mesmo com a garganta cansada, a nuca nunca parou. E a voz reproduzia o que a nuca nunca parou de fazer. Criar. Você pode escrever, pintar, desenhar, sim. Mas com a boca fechada não se pode viver com muito sucesso. Gera déficit de comunicação. Gera déficit emocional. A criação vem deste trabalho em grupo. Vem deste trabalho em dupla.
Mas a boca me é inútil neste trabalho.
A minha cabeça é a que fala, e minha boca é a que escuta.

Morte

Porque é tão forte e severa? Porque tu rasga o peito e a alma, como se fosse carne viva? Furta a alegria só para jogar-lhe no lixo? Mais do que qualquer pessoa, tu és indecifrável. Mais indecifrável que uma balança de libra. Qual é o teu lado do jogo, se queima ou se congela, se adormece ou se acorda. Não te conheço, morte. E não deixas ninguém infiltrar em tua áurea amargurada. Não te conheço. Mas como é possível, não conhecer-lhe e doer tanto?

sexta-feira, 19 de junho de 2015

Escrevo para não morrer asfixiada nesses ares imundos do mundo.
Não sei se isso é um alívio ou uma forma de escapar da morte.

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Difícil é ser mulher

Difícil é ser mulher. Difícil é acordar feliz pela primeira vez depois de meses deprimida embaixo de uma coberta. Deprimida por ter que seguir padrões impostos por conta do meu gênero. Difícil acordar feliz e tentar sentir o ar limpo e fresco apenas para você, mas a sua felicidade ser estragada por causa de um leve comentário de um homem no bar sobre como sua bunda fica empinada nesta calça apertada. É difícil andar nas ruas, avenidas, calçadas, e não notarem como estou vestida (“mas ela é muito masculina! ” “ai, que piranha”, “que homem vai querer essa mulher?”) e se meu cabelo está bem penteado (“porque você não alisa?”). Não notarem no meu corpo. É dificil ser assediada todo o santo dia e ser obrigada a permanecer calada. Se reclamo, sou a louca. É difícil olharem para a profundeza do meu sorriso. É difícil ser mulher negra, e minha beleza estética – a única característica que é valorizada numa mulher – não valer de nada. Para nada. É difícil ser mulher lésbica, ficar tão contente por ter achado a mulher certa, o amor da minha vida, e depois perceber que ninguém fica feliz com isso. Perceber que eu não sou mais que um fetiche. Continuo senso hipersexualizada. Nenhuma mulher é livre. É difícil ser mulher em uma sala de candidatos a nova vagas de emprego, e minha inteligência ser questionada só porque um homem a questionou, a humilhou, não concordou. É difícil mostrar quem eu sou, quem eu quero ser quando eu não tenho voz em lugar nenhum. Em casa, no trabalho, no bar. E porque, claro, uma mulher não pode ser mais inteligente que um homem. Não pode ser mais forte que um homem. É difícil ser mulher na juventude, eu não posso transar com que eu quiser, já imaginou? Vão me chamar de piranha. Não me dou o valor. Mas meu irmão pode. Mas meu amigo pode. Então tá tudo bem. É difícil ser mulher e mãe, quando meu único dever é cuidar das minhas crias. Não tenho mais direito á lazer, farra, uma noite de bebedeira, senão, sou uma mãe que não cuida dos filhos. Descontrolada. Mas claro, o pai dos meus filhos pode! É difícil dar o sangue pelo meu filho, vê-lo crescer e eu virar seu maior pavor e temor. Mas e o pai dele? Aquele que me largou cuidando do meu filho, sozinha? É o herói. É difícil ser mulher e cometer erros. A traição é algo abominável. Imagina só. Mas meu pai traiu a minha mãe. “Ah, normal, homem é assim mesmo. ” Difícil é ser mulher e querer beber pra caralho. Não posso. Não posso porque homens são predadores. Qualquer passo e eles tentam se aproveitar quando veem mulheres bêbadas quase caindo. Difícil é ser mulher e ser estuprada, abusada fisicamente, psicologicamente e sexualmente. Além disso, a culpa é sempre dela. Difícil é ser mulher e me privarem da minha liberdade desde o berço, e crescer vendo meu irmão fazendo o que ele bem quiser. É homem mesmo. Agora eu tenho que me dar o valor. Aprender a cozinhar, varrer a casa e lavar louça. Difícil é ser objeto feito para consumo masculino, um pedaço de carne, muda, sem opinião. Difícil é nascer inferior só porque sou mulher e ter que provar superioridade de alguma forma durante a vida. O homem já tem desde que nasce. Difícil é não ser respeitada e ter que CONQUISTAR o respeito durante a vida. O homem já tem isso desde que nasce. Difícil é ser mulher e ser sensível, onde seus sentimentos nunca são ouvidos e vistos apenas como “draminha de mulher”. Só pra chamar atenção. Difícil é ser mulher e ter paz. Mulher não conseguiria paz nem se tentasse. Mulher não serve pra nada se não for pra servir ao homem. Difícil é ser mulher e passar por tudo que ela passa, e no final do dia ainda ser chamada de exagerada, maluca. Difícil é ser mulher. De todos os jeitos possíveis, difícil é ser mulher.
Fácil é ser homem.
Mas porque diabos eu desejaria ser homem? Odeio caminhos fáceis.

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Podia ser insônia. Aquela insônia pesada que quase cega os olhos ás 4 da manhã. Podia ser aquela tristeza aguda que entra e estupra a alma á noite quando me deito no meu colchão velho. Podia ser só um vazio que alguém esqueceu no meu peito e emudeceu. Podia ser tantas angústias e sonhos desfeitos. Mas não foi nada dessas luxúrias. Foi o amor. O amor que arrombou a porta e veio pegar o que era dele. O meu pequeno coração despedaçado.
Ninguém pra ligar. Ninguém pra dizer “ei, eu tô mal. vem me ver.”. Ninguém pra sair de casa as três horas da manhã e vim tentar me entender. Eu estou pedindo demais ao mundo. Implorando um amor que não existe. Ninguém para retribuir a parte de mim que doou. Sinto que até deus me deixou. Cansada das minhas questões. Estou só no universo. Presa na minha existência que não acaba nunca. E cansada demais em persistir.

sábado, 6 de junho de 2015

O universo tá cagando pra como você se sente. O sofrimento vêm pra todos, a mesma coisa acontece com pessoas boas e ruins. Coisas boas e ruins acontecem com pessoas boas e ruins. O problema não é o que acontece em sua vida, e o que deixa de acontecer. O problema é a diferença dos indivíduos. Pessoas tem reações diferentes á situações. E está ai a grande resposta: algumas pessoas lidam melhor. Outras não.

Eu não sou uma dessas pessoas que lidam melhor com sofrimento. Não sei veleja-lo calmamente. Não. Isso não existe pra mim.

quinta-feira, 4 de junho de 2015

Objetivo

Eu sei. Engolir a dor é trovoada na mente. Mais uma mágoa somada é dor no peito, dor latejante, dor que nasce faísca. A lágrima já está azeda de não suportar mais culpa dentro de si. A paciência já esqueceu-se de aparecer em momentos como estes. Tudo isso: o ciúme, a culpa, a tristeza, a ânsia, é culpa de quem sente muito. Sentir muito. Não, não é uma desculpa. É sentir tanto até os pelos do corpo se ouriçarem mesmo. É perceber o coração apavorado, se apertando por dentro. A solidão não merece o sentimento. Mas precisa dele.