O corpo vem ao mundo, todo nu. E se torna cru. Se torna parte da malícia de um mundo sem portas ou janelas. E para sentir-se vivo é preciso criar uma conexão inquebrável com o mundo. O ódio ao teu corpo nu faz parte da tua conexão com o mundo. É compreensível o ódio ao teu corpo. É compreensível querer uma afeição maior com o mundo do que com tua criação pessoal. Senão não poderia chamar de vida. Seria miséria. Infiltrar-se nesse mundo incita a uma espécie de auto-ódio.
Então, você para e se pergunta:
Quem te criou afinal, seus pais ou o capital?
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