Acho que o que mais me agrada nas relações humanas é a lembrança de peculiaridades do outro. As peculiaridades, os detalhes, o microscópio dos insights, são as formas mais inibidas de amar. É o sincero dentro do costume. É o costume que é rotina, mas não enjoa. O apego que não dá náuseas, não se solta uma vontade de vomitar. Um apego que não é tóxico como um perfume é para o nariz. Sem alguma cerveja, sem algum cigarro, sem drogas, ninguém mais se interessa em sair com as pessoas hoje em dia. Não suportam o perigo que é olhar nos olhos de alguém tomando um café depois de acordar com os olhos inchados de tanto chorar a noite toda. Mas eu creio que o amor seja a exceção desses interesses individuais e incuráveis, onde alimentamos a cada dia, como se fossemos máquinas. O amor é a quebra dessa máquina de individualidade. O amor é fomentar peculiaridade dentro de um laço rotineiro. Um laço que nunca se rompe e nunca apodrece, mesmo com esforço. E se um dia der nó, não aperta. Amor é morar dentro desse nó que não aperta.
É uma espécie de nó que folga o coração apertado.
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