quinta-feira, 25 de junho de 2015

Boca e Nuca.

O ato da escrita não tem cabimento e repudia quando nada vem a mente. O vazio, o branco borrado de giz. Nada, nada sai da nuca. E da boca, grande companheira da nuca.
As teorias, as melodias, a tristeza, a glória, o gozo. Todas as criações encontraram-se em seus significados mais pequenos e melindres porque a boca conseguiu trabalhar com a cabeça. O que a nuca idealizava, a boca dizia. Mesmo com a garganta cansada, a nuca nunca parou. E a voz reproduzia o que a nuca nunca parou de fazer. Criar. Você pode escrever, pintar, desenhar, sim. Mas com a boca fechada não se pode viver com muito sucesso. Gera déficit de comunicação. Gera déficit emocional. A criação vem deste trabalho em grupo. Vem deste trabalho em dupla.
Mas a boca me é inútil neste trabalho.
A minha cabeça é a que fala, e minha boca é a que escuta.

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