quarta-feira, 20 de janeiro de 2016
Precipitado precipício
Ela olhava para mim como se estivesse transando comigo com os olhos. Era um desejo magnético e suavemente sexual. Mas tenho um apetite incansável por paixões platônicas e buscas de amores eternos. Minha cabeça lambuza desejo com amor. Ver uma flor se abrindo já imaginando ela se fechando, e morrendo. Sou estabanada até o talo do final da alma, quem me conhece sabe que é assim. Eu não tomo jeito para sexos casuais e paqueras de carências momentâneas. Bebo até não sentir tanto e não pensar muito. Eu sou criança com tentativas de fazer desaparecer minha ingenuidade. Acordo e durmo pensando em romances e beijos curtos no café da manhã. Eu confundo o quê? Nem sei mais. A esqueço de vez, mas a encontrar na rua é um disparo que meu coração se rende no mesmo minuto. Tudo volta. A paixão ou o desejo? Minha consciência não separa os dois. Tenho medo de relações profundas, mas não vivo sem elas. Esse medo, eu gosto. Eu gosto do jeito que ele me dá sustos no meio da madrugada.
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