sexta-feira, 24 de abril de 2015

Eu sou tudo aquilo que disseram que eu não era

Certos rótulos em certas formas de se dizer corroem a alma e largam palavras dentro do ouvido da escória. E as palavras se fundem e se afundam, as palavras mofam e criam poeira, dentro de uma zona dística de conforto que possui ventania leve. E a gente se habitua a usar aquilo ao nosso favor. São tantos favores que chegam a ser desfavores inconscientes. Me cansa todo esse pragmatismo emocional e as etiquetas que grudam na minha testa. Mas quero alguém que assuma a verdade mal-cheirosa, aquela que não toma banho a cinco dias. Com arrependimento e remorso eu digo, eu crio, eu invento, eu imagino a verdade. A verdade mutável, a verdade fixa. Eu não sei. Mas é uma verdade. Se não aqui, é em outro lugar. E será aqui um dia. Mas alguém pôs o dedo na minha goela e eu pude dizer: eu sou tudo aquilo que disseram que eu não era.
Eu sou a ruindade e o grotesco.
Mas não me anulo também da bondade e mansidão.
O bom e o ruim andam de mãos dadas. O ser humano é tudo aquilo que diz não ser. Somos o neutro e o imóvel em estado de convulsão, chocando-se na plenitude do chão.

Nenhum comentário:

Postar um comentário