quarta-feira, 15 de abril de 2015

Nos acostumamos (2)

Acho que me acostumei á coisas demais. Tenho uma vontade absurda de fazer o que não faço, de costume. Mas não o faço, pois me acostumei. Como eu digo para as pessoas que eu amo, que eu as amo de verdade, se palavras não são concretas e vão perdendo o sentido a cada vez que são repetidas? Se são repetidas todos os dias sem ter a intenção de provocar nada? Palavras não significam nada. Mas ás vezes significam tudo.
O açúcar em casa acabou, tenho que me arrumar para ir ali no mercado. Mas, se arrumar pra quê? No final de tudo, não é a primeira impressão que fica mesmo.
Eu acordo todos os dias e saio da cama. O sair da cama não representa nada pra mim. As pessoas saem da cama para poder viver. Eu saio por costume. Pra quê sair da cama se não vejo sentido no viver?

Eu queria achar um jeito de dizer para as pessoas que eu amo como eu as amo.
Eu queria que ás vezes fosse a primeira impressão que ficasse. As pessoas são uma teia de obscuridade no final de tudo. (Apesar deu gostar disso).
Eu queria achar sentido no viver.

Me acostumo á coisas demais.

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