segunda-feira, 20 de abril de 2015

Meio-dia de uma segunda-feira

No âmago mais insaciável do meu ser, avista-se á fundo um buraco negro. Um buraco que usurpa robustez, assim como a relação de um vampiro com o sangue humano. Eu encontro a força, mas não há a oportunidade de se dar o primeiro passo. O primeiro passo nasce do lado de dentro, mas meu lado de dentro é indecifrável. Trancafiado por vinte e sete chaves. O que penso que ainda está por decifrar, já decifraram. E o que já decifraram o deparei morto e sujo com moscas morando em cima daquele rigor, impenetrável. O sentimento é inválido quando o ceticismo grita no ouvido da inocência. E eu tento controlar os gritos, evita-los de entrarem, mas é tudo oco. Não existe saída e não existe guia. Eu poderia doar meu coração para alguém. Um dia.

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