domingo, 19 de julho de 2015

Ensaio de um retrato distante.

Eu lembro bem. Aquela vez em que dormimos juntas, e a chuva que corria e se apressava a molhar o ópio enegrecido dos seus olhos no escuro do quarto em encontro com os meus. E nossas bocas faziam gestos recíprocos no mesmo instante. E na minha base de análise encarava o fato de como suas mãos se encaixavam tão bem com as minhas. Você encarou este fato também, e sorriu. "É profundo", você disse. E acordamos juntas no dia seguinte, dia em que a lua ingressou em peixes. Nos abraçamos ao perceber a nossa distância uma da outra durante o sono da noite, e parecíamos fadadas na mesma órbita. E neste efêmero infinitamente instante eu cogitei nas marteladas de bem-estar da minha cabeça que seríamos por muito tempo. Me enganei, parece.
Não estamos.
Não fomos.
Não somos.

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