quarta-feira, 22 de julho de 2015
Pensamento da carapaça.
Embelezo, enfeito, adorno a tristeza porque a beleza toda de fora um dia acaba e consequentemente machuca. O que eu vivi, e há de viver ainda, sai desfocado da ideia que se tinha. Só a imaginação é bela e só ela que me salva. Só há uma única família e uma única certeza: tudo o que está vivo na minha memória agora. Na presença atemporal do espaço presente. Só há um lugar: aqui, onde progride o campo de possibilidades. Tento sair do campo das ideias para que se abra as fronteiras da consciência e caiba a experiência de sentir na pele. Eu penso mais do que pratico, eu sei. Eu repito. Eu sei que a gente pega um ponto de vista e faz desta imagem um oceano inteiro. Ignorando o resto. Como as pessoas ousam falar em deus, uma força intocável, onde este se move apenas com a fé, se todos nós estamos nadando somente em superfície de avaliações, achando que tudo vem de fora, observando só um pingo de sangue, enquanto se invisibiliza o esforço em enxergar a corrente sanguínea por inteiro. Visto a carapuça do meu casulo de seda e decolo em destino para dentro de mim. Onde arde e queima. Onde existe a culpa em seus níveis extremos. Existe o desejo incontrolável de querer ser de alguém, de querer ser sua. Mas, me ajusto, na segurança da carapaça. Sou minha. Deste jeito torto, deste jeito triste. Mas sou minha.
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