quarta-feira, 22 de julho de 2015
Senha
Você nunca conhecerá uma mulher por inteiro. Por maior que sejam as possibilidades de achar que a conhece, sempre se engana. Não falo de um modo que ela seja outra pessoa, diferente desta que aparenta ser. Não. Mas elas possuem, sangrando, nas palmas de tuas mãos exauridas, experiências, receios, segredos, das quais todas elas são fadadas ao sentir degredado capotando dentro de teus corpos. E falar de teus temores e saberes, serem ouvidas por si mesmas em voz alta, é como se um muro que as protegiam, de repente caísse. É um disco que arranha no ar do inesperado. Assumir-se humilhada. Assumir-se prisioneira, assumir-se digna de pena, de que lhe falta ouvidos para serem ouvidas. E algumas assumem-se, e são teus desgostos, como carne que se encontra seca mas ainda sangra. Quando se penetra em um mundo feminino tudo que se faz é vomitar angústias. Se não vomitas angústias, vomitas dor. Dor por ela. Dor pra ela. Coração de mulher é dor em sigilo. Olhos penetrantes que gritam silêncio melindroso. São confidentes de si mesmas. Você nunca conhecerá uma mulher por inteiro.
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