terça-feira, 21 de julho de 2015

Carta á minha mãe.

Mãe,
Sei que frequentemente - ou quase sempre - suas crias aparentam depreciar teu papel de mãe. Não é? Ou pelos menos é assim, que deves se sentir na maior parte do tempo. Mas quero que entendas: o crescimento pessoal é necessário, e para isto ocorrer, é necessário que lhes deixem quebrar a cara um pouco. Um pouco não, equivoquei-me: muito! Bastante. Deixar os rostos sangrarem, e os pequenos corações de crianças também. Mas isto não retira o fato do amor maternal como um todo. Como andam teus temores? Teus medos? Sei que você os tem até teu coração chegar na boca. Sei que você os tem até teu nó na garganta não conseguir mais desatar-se da água salgada presa nos teus olhos. Sua insegurança é tamanha, afinal, o que seria de você sem teus filhotes? Mas mãe, faria de quase tudo para deixar esta tua insegurança de lado e fazer você viver tudo que envolve ao agrado do seu âmago. Ouço falar - da boca de outras mães - que quando filhos crescem a vida para os mesmos é mais empolgante do outro lado do que o lado do lar. É, sei bem. Eles soltam-se de vocês, e vocês prendem-se ainda mais. O peso de ser mãe é duro. E é duro como pedra até ser mãe sem um filho! Mas, acalma a alma, mamãe. O mundo insiste em te derrubar. Mas nós, nunca. A rainha aqui é você.

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