sexta-feira, 13 de março de 2015

Nos acostumamos.

A gente se acostuma á coisas demais. Eu parei pra pensar nisso quando todo mundo reclamava que eu deixava sempre minha mãe de motorista quando ela me dava carona e não a acompanhava na frente. Eu sempre fui acostumada a ir no banco de trás do carro. Na época de colegial, meu irmão mais velho sempre sentava na frente, e como é reproduzido em todas as famílias, o mais novo sempre senta atrás. E fomos crescendo, e acabei me acostumando a ir sempre no banco de trás, e ele sempre no banco da frente. Nos mínimos detalhes, não enxergamos, mas é verídico. Nos acostumamos á coisas que não deveríamos nos acostumar. Nos acostumamos a ter sempre a sobra de comida, nos acostumamos a deixar os outros em primeiro lugar e nos deixarmos por último porque nos cansam de dizer que a humildade é algo que o ser humano deve estar sempre cativando. Nos acostumamos a só querer e não poder, nos acostumamos á levar sermão e ouvirmos calados. Nos acostumamos a ser submissos. É um costume que adoece.

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