terça-feira, 15 de março de 2016

O quarto de uma suicida.

O quarto havia saídas mas parecia existir um cadeado invisível. Era frio e ninguém nunca havia comprado cobertas achando que o calor permaneceria. A vista era míope, não trabalhava para ganhar um mínimo de dinheiro para fazer uma receita para um óculos. Era também escuro. Se derramassem até sangue no tapete do vão da porta não enxergaria. Á menos que lhe tocasse os lábios e a língua. Era uma vida, ela dizia. Não dizia, cismava. Mas chorava. Um arsenal de facas era um dos enfeites do quarto. Mesmo que a visão fosse falha, podia-se dizer assustador as lembranças que ali ficavam. Como se cada uma fossem objetos na prateleira. Mais de dez pedras foram jogadas no vidro da janela. De vizinhos, amigos, familiares. Não importava mesmo quem eram as pessoas. Não se ouvia gemido, grito, voz. Mas a ambulância de repente veio. E o barulho da sirene foi o último som que ouviram.

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